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O teu nome é formado de asteríscos, quantos forem necessários. É um jeito de falar de você sem usar seu nome real. Um método muito utilizado na internet hoje em dia. Eu acho.

Eu nem sei exatamente porque eu faço isso. Aliás eu sei. Provavelmente é porque você não tem nome.

É sério.

Não, tu não é velho amigo, novo amigo, nem amigo é. Eu não te conheço, tu nem é real.

Mas eu vou fazer o que com esse aperto no peito? E é aperto mesmo, daqueles que machucam se a gente tenta respirar muito fundo. É aperto de dor da alma, que a gente guarda pra'quela pessoa que faz falta. Mas eu não tenho mesmo uma pessoa dessas, então a culpa é da música.

Porque tem dessas, né? Umas músicas que te deixam tristes com lágrimas nos olhos, outras que te deixam triste também, mas com um sorriso imbecil na cara de quem tá tentando superar.

Superar o que eu não sei, mas eu juro que to tentando.

Eu sei lá quem você é, mas às vezes eu te imagino, crio altas narrativas. Minhas histórias nunca tem final feliz (eu acho).

(até playlist eu fiz pra você. ela me faz chorar)

Ok. Talvez você seja um velho amigo. Músicas podem ser velhos amigos também, certo?

Você é o baixo perdido no meio de uma canção de romance, a fila de pão da letra, o ukulele pretencioso dessas musiquinhas hipsters. É a parte que fica na cabeça apesar dos pesares.

Você também é aquele vento forte irritante do mar, que gruda no cabelo e deixa tudo cheirando à praia. É all-star de estimação que a gente não consegue jogar fora. É o gostinho do fim de vinho barato (porque eu não tenho verba pra comprar coisa boa).

E eu nem te conheço.

E acho que nem quero conhecer.

Algumas coisas são melhores assim, deixadas no anonimato. Bandas, alguns filmes, minha conta no twitter, você. Sem revelar nem o nome.

Usando asteríscos.

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