Sobre Isabel
Isabel sorria sempre, e de todas ela era a mais nítida.
A primeira coisa que eu vi dela foram os olhos, azuis contra a escuridão da minha mente. eu ainda lembro do quando.
"Isabel, (a carta dizia)
A vida não vai melhorar
(a vida não vai melhorar)
assim"
Isabel saiu das sombras delicada, silenciosa — eu não sabia quem era na época, é claro —, ela fora um espelho alvo de alguém que eu nunca vira. Os olhos transparentes sorriam para mim, como se não quisessem nada.
"Isabel, (eu dizia)
A vida só vai melhorar
(a vida só vai melhorar)
aí" onde você estiver
Isabel sorria com dentes afiados, lingua venenosa e palavras doces. Ela disse o que eu queria ouvir, concordou comigo, riu das minhas piadas. Isabel usou minha voz para isso. Isabel era eu.
"Pode ser (ela dizia)
um dia ruim"
Quando Isabel montou a peça. Quando a armadilha estava pronta. Quando eu passei a ser Isabel.
Isabel deixou de ser eu.
Comentários
Postar um comentário