Sobre saber

Um dos momentos mais tristes que podem acontecer na vida é finalmente perceber que você não vive em uma fanfic. E eu não digo no sentido de que você nunca vai descobrir ser uma princesa perdida, ou uma super-heroína sem memórias, mas no sentido de que as coisas não vão dar certo pra você daquele jeito — ou de qualquer um.

Você nunca vai acordar, colocar uma roupa qualquer, um coque frouxo e irá para o starbucks mais próximo encontrar o amor da sua vida. As coisas não acontecem assim, não existe um coffee shop AU esperando por você na próxima esquina. Talvez você nunca encontre o amor da sua vida. Talvez o amor da sua vida nem sequer exista.

E toda a raiva e o cenho franzido que se pode formar por causa dessas frases não é desmedido, de fato.

Porque todos crescem querendo que exista algo a mais que faça valer a pena, que faça existir algum pingo de sentido no que passamos todos dias.

Mas não tem, não se engane.

Somos filhos do nada, nascidos do nada e para o nada iremos.

Mas mesmo assim continuamos escrevendo, lendo. Cada vez mais e mais, até o mundo real parecer tão acinzentado e tão inútil que dedicamos uma vida inteira a fugir dele.

Porque a sua raiva justificada sabe.

Sabe que não existe amor verdadeiro.

Sabe que não via conseguir as coisas do jeito que quer.

Sabe que não existe final feliz no fim do caminho.

Sabe.

Sabe que virá a morte.

E virão as lágrimas.

E as dificuldades.

E a vontade de desistir.

Sabe que não virá nada de mais e não terá nada a mais.

E por isso escreve. Porque quer e precisa de algo que o faça levantar no dia seguinte. Como viciados, sem ao menos terem encostado em qualquer droga.

Bem… qual droga seria melhor que nossos próprios olhos fechados, não é mesmo?

Já que não vemos nada…

E afinal


Somos filhos do nada, nascidos do nada e para o nada iremos.

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