O D E

Ode!
Ode a mais um caído
a mais um internado
a mais uma ocorrência policial
aos pássaros que não cantam
                           [nas gaiolas
e aos que nem gaiola tem

Ode!
Ode aos pincéis afiados
e aos quadros em branco
esperando a tinta vermelha
aos abraços que não vinham
a às coisas que ninguém podia ver

Ode, ode, ódio!
E sempre não é nada
e nada, nada, nada
até morrer na praia

Ode!
Ode aos vermes e
aos caixões de mogno
Ódio.

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