Sobre a morte

Nunca é tarde demais para se lembrar de que somos mortais, meras peças no jogo do tempo. 

Pessoas morrem e nascem a todo o tempo e às vezes coisas incríveis acontecem.

Pessoas mortas podem sair de seus túmulos, sentindo ódio nascido do abandono e querendo vingança nascida do amor.

Eles vem com esperança, mas a Morte já carcomeu tanto os corações dos defuntos que esse sentimento definha antes mesmo de sair do berço...

Isto é, do túmulo.

Costumava ler que a primeira coisa que os defuntos faziam depois de serem enterrados era abrir os olhos, no escuro, esperando por um chamado que nunca vem.

Quase nunca.

Tão vivos estavam os mortos, que na primeira mão estendida, eles vão de bom grado, soltando-se do  reino ao que agora pertencem.

Não estão vivos, mas nunca pertenceram à morte, quem são esses que se balançam no parapeito da ponte da vida?

Entre as águas cálidas do sono eterno, e da terra esburacada da vida intangível, é tentar arrastar quem os levou àquele ponto, com satisfação doentia de ver o pêndulo do próprio mundo quase parar.

É ver que estão querendo recuperar a vida que nunca viveram.

Caindo e caindo, cada vez mais longe do que eram, esquecidos nas areias das horas.

Nunca foram importantes.

Até acordarem em suas covas novamente.

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