Sobre a arte de falar

A eloquência, como a facilidade e clareza ao falar, é algo que não se aprende. Ou você tem, ou não tem. E eu não estou nem falando das pessoas especiais com a capacidade sobrenatural de argumentar e apresentar suas opiniões de forma convincente e racional, eu estou falando das pessoas normais, que conseguem juntar substantivos e conjugar verbos. Os que conhecem os conectivos e sabem variar as pessoas em gênero, número e grau. Eu estou falando das pessoas que conseguem conversar e não deixam silêncios constrangedores pairando no ar sempre que dizer algo.

Eu queria ser assim, mas eu me repito. Como uma criança aprendendo a falar ou uma estrangeira tentando se fazer entender num lugar desconhecido. Mas essa é a minha língua, é como eu me comunico todos os dias e mesmo assim me faltam palavras. Um vocabulário inteiro substituído por memórias num espaço-tempo, por imagens sem significado externo. Então eu sigo os dias formando expressões pobres, repetidas até a exaustão. E me odeio por isso. Por viver numa bolha incomunicável e não conseguir fazer nada para mudar. Porque a minha voz simplesmente não sai.

E eu desejava que as coisas fossem como um grande filme, com script e falas claras de se entender, já prontas, esperando apenas para serem ensaiadas e declamadas. E como não é, eu me viro com o que eu tenho, eternamente usando frases de efeito no lugar do que eu realmente penso.

Porque minha mente está explodindo com monólogos inteiros, com imagens de borboletas e estrelas, com galáxias prontas para sair e mesmo assim eu digo que não sei. Porque eu não sei o que dizer.

Então eu me repito, e me odeio por isso.
 

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